Antes de conquistar os palcos e se tornar um dos maiores nomes do rap lusófono, Eva Rap Diva percorreu um caminho de esforço e versatilidade profissional que poucos conheciam. A revelação foi feita durante uma entrevista ao programa “O Tal Podcast”, do semanário Expresso, onde a artista, nascida no Seixal, partilhou momentos marcantes da sua juventude e do seu percurso profissional.
Muito antes de se envolver na política portuguesa, onde se destacou como uma das candidatas mais comentadas do Partido Socialista (PS) nas eleições legislativas, Eva trabalhou em diversas áreas — muitas delas longe dos holofotes da música ou dos círculos políticos. “Trabalhei num call center a vender saldo telefónico, fui caixa de supermercado, atuei na gestão de uma frota de camiões em Angola e até estive envolvida em obras de remodelação na construção civil”, contou, sem rodeios.
Aos 36 anos, Eva Cruzeiro — nome de registo — destacou que sempre valorizou o trabalho e nunca teve receio de arregaçar as mangas. Essa experiência em múltiplas frentes contribuiu significativamente para a formação de sua visão crítica e comprometida com a justiça social, hoje refletida tanto em suas letras quanto em suas ações públicas.
Com uma carreira musical iniciada ainda na adolescência, Eva tornou-se referência do rap de intervenção, trazendo à tona temas como desigualdade, racismo e direitos das mulheres. Apesar da força da sua presença artística, ela confessou que a política não estava em seus planos iniciais. “O meu desejo era trabalhar com a terra, investir na agricultura. Nunca pensei que um dia estaria a candidatar-me a deputada”, afirmou.